A flor de maracujá

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O maracujá possui uma das flores mais marcantes, sendo apreciada desde a exploração espanhola nas Américas. Foi a planta americana que mais causou admiração nos colonizadores, nos séculos XVI e XVII. Maracujá é o nome popular atribuído às diferentes espécies pertencentes ao gênero botânico Passiflora, da família Passifloraceae. Nativo das Américas, Passiflora tem cerca de 500 espécies catalogadas pela ciência. No Brasil, são registradas 141 espécies de Passiflora, sendo 82 delas endêmicas, ou seja, só ocorrem no Brasil e são observadas em todos os tipos de ambientes, em todos os estados brasileiros.

As passifloras são, em sua maioria, plantas trepadeiras que podem ter o caule muito fino e delicado até extremamente espesso. Apresentam as gavinhas, aquelas molinhas que permitem que a planta se apoie e consiga se desenvolver sobre outras superfícies. As folhas, geralmente, tem a cor verde intenso e as diferentes espécies apresentam formas de folhas variadas. As flores são geralmente isoladas na extremidade dos ramos e na maioria das vezes muito vistosas, sempre com cinco pétalas. Uma característica marcante das passifloras é a presença de uma corona de filamentos, que é uma espécie de “saia” composta por fios alongados, geralmente coloridos que se localizam sobre as pétalas também coloridas. O fruto possui em seu interior uma polpa amarelada ou alaranjada com muitas sementes.

A princípio, o maracujá era conhecido como granadilla, pois a forma de seu fruto se parece com o fruto da romã (punica granatum). Posteriormente, recebeu o nome de passiflora, passionária ou flor da paixão. O nome de flor da paixão se deve à primeira espécie descoberta, Passiflora Incarnata, pois para aqueles que a conheciam na ocasião, homens de fé católica, associavam as partes da flor e folhas com alguns instrumentos presentes da paixão de Cristo. Assim, as folhas recordavam a lança que transpassou o peito de Jesus na cruz; as gavinhas, o açoite; a corona de filamentos, de coloração vermelha e azul, a coroa de espinhos; os três estiletes simulavam os três cravos e as cinco anteras representavam as chagas do crucificado. O papa Paulo V recebeu em 1605 a visita de missionários que estavam na América e o presentearam com uma planta viva de Passiflora Incarnata, presente que causou grande surpresa em Roma, devido à associação religiosa e logo foi cultivada e propagada por vários países católicos da Europa. Os cristãos europeus acreditavam que a presença dessa flor nas Américas era um sinal da conversão dos povos dos americanos à fé Cristã. O nome maracujá tem origem no tupi-guarani e mara kuya, significa “fruto que se serve” ou “alimento na cuia”.

O uso fitoterápico do maracujá como calmante é antigo. Há indícios de que diversas tribos indígenas das Américas preparavam um emplasto com as folhas da planta para acelerar a cicatrização de contusões. As folhas e raízes do maracujazeiro possuem a maracujina, passiflorina e calmofilase, princípios farmacológicos muito utilizados como sedativos, antiespasmódicos, anti-inflamatório, depurativos e suas sementes atuam como vermífugos que podem ser facilmente encontrados em farmácias e drogarias. Na Primeira Guerra Mundial, o maracujá na forma de xarope, extrato e chás foi utilizado como ajuda no tratamento de angústia própria de guerra.

O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá, sendo que em todo o território brasileiro há produção e o estado da Bahia lidera esse ranking. As técnicas de cultivo variam de acordo com a região e condições climáticas e de solo. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), especializada no melhoramento das mais diferentes produções agrícolas, realiza pesquisas nos mais diferentes lugares do Brasil para promover avanços e melhoras no seu cultivo.

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