Sorgo: uma planta cultivada há milênios

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Sorghum bicolor é o nome científico do Sorgo, também conhecido como milho-zaburro, mapira ou massambala. Poaceae, também conhecida popularmente como gramínea, é a família botânica a qual pertence o sorgo, a mesma família do arroz, milho, trigo, aveia, centeio, cevada, cana-de-açúcar, bambu e as mais diferentes espécies de gramas. O sorgo é originário do continente africano, mas há controvérsias que indicam que ele também esteve presente na Índia de forma nativa. De acordo com registros arqueológicos, a domesticação do sorgo deve ter acontecido há cerca de 5.000 anos.

Estruturas vegetais como caule e folhas do sorgo se assemelham às do milho, podendo ter de 40 centímetros a 4 metros de altura. O crescimento das raízes de Sorgo está relacionado com a temperatura do ar e é limitado pela falta de umidade no solo e outros fatores químicos da planta, mas no geral, as raízes crescem ocupando grandes áreas subterrâneas, trazendo para a planta uma grande eficiência na busca de água no solo. As gramíneas como Sorgo, milho, bambu e o trigo, apresentam flores muito pequenas, geralmente esverdeadas e sem pétalas coloridas. Das flores minúsculas, são originados frutos muito pequenos e de cores castanhas. O Sorgo é considerado um cereal, por apresentar frutos secos, pequenos e com grande potencial alimentício.

O Sorgo, atualmente, é o quinto cereal mais produzido no mundo e conhecido principalmente por sua versatilidade, pois é utilizado para diversas finalidades. Os grãos são utilizados como alimento humano e animal; como matéria prima para produção de álcool anidro, bebidas alcoólicas, colas e tintas; o uso de suas inflorescências para produção de vassouras; do caule é extraído açúcar e as folhas são utilizadas como cobertura vegetal e pastagens. Registros indicam que seu cultivo na Índia (que hoje é a mais extensa área de cultivo de Sorgo no mundo) ocorre há cerca de 2.000 anos. Na primeira década do século XX, foi extensivamente cultivado nos EUA para produção de xarope ou melaço, utilizado como substituto do açúcar. A chegada do Sorgo no Brasil é incerta, mas acredita-se que também tenha sido através das embarcações que traziam escravos da África e historiadores citam que as primeiras ocorrências no Brasil teriam sido no Nordeste. Por volta da década de 1960, a cultura é introduzida de forma ordenada no país através dos institutos de pesquisa públicos e universidades. Em escala global, o Sorgo é a base alimentar de mais de 500 milhões de pessoas em mais de 30 países e somente arroz, trigo, milho e batata o superam em termos de quantidade de alimento consumido.

O cultivo do Sorgo ocorre no mundo todo por ser uma planta que apresenta grande resistência à escassez de água e se adapta facilmente aos mais diferentes tipos de condições ambientais. Não tolera a seca, mas suporta lugares onde não há chuvas constantes. Por ser uma planta de origem tropical, conseguiu se adaptar às condições médias de temperatura. Apesar de ser cultivado no Brasil há mais de 60 anos, ainda não se firmou como uma cultura com características comerciais marcantes. Tem potencial para ser um substituto do milho em seus vários usos e pode se adaptar com facilidade às diferentes condições climáticas do país. O Centro-Oeste é a principal região produtora do grão.

Devido à exuberância de suas inflorescências, passou a ser utilizado como planta de corte para decoração e ornamentação. As inflorescências são utilizadas na composição de arranjos florais e, por serem cereais, mesmo depois de secas, apresentam grande durabilidade.

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