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A cama mais antiga da história da humanidade

Atualizado: 16 de ago. de 2021


A cama mais antiga da história da humanidade, datada de 200 mil anos atrás foi descoberta por um time internacional de arqueólogos liderado pela Universidade de Witwatersrand (Joanesburgo) e era feita de grama, cinzas e plantas aromáticas.

A descoberta foi realizada na caverna Border Cave, na região de KwaZulu-Natal (África do Sul), local que abriga registros arqueológicos muito bem preservados, sendo uma grande fonte de conhecimento sobre o ser humano da Idade da Pedra.


Border Cave, na África do Sul

Feixes de grama da subfamília Panicoideae foram identificados através de técnicas microscópicas e espectroscópicas. Segundo os pesquisadores, as largas folhas da gramínea eram assentadas sobre camadas de cinza.

Vestígios carbonizados do arbusto-da-cânfora (Tarchonanthus trilobus) também foram encontrados através de análises químicas, biológicas e microscópicas. Ela é uma planta aromática até hoje utilizada para repelir insetos em áreas rurais do leste da África, muito semelhante à espécie do mesmo gênero Tarchonanthus camphoratus.


A foto a seguir apresenta um detalhe da folha do arbusto-da-cânfora em Cape Town. (Não deve ser confundido com a canforeira, de nome científico Cinnamomum camphora).


Foto: Abu Shawka / Domínio público
Arbusto-da-cânfora (Tarchonanthus camphoratus) Foto: Abu Shawka / Domínio público

Cinzas são utilizadas por várias culturas como repelente de artrópodes rastejantes, por dificultar sua locomoção, respiração e a capacidade de morder desses animais.

A espécie de grama Panicum maximum (capim-mombaça), que cresce na entrada da caverna é uma hipótese de uso possível, levantada pelos pesquisadores, para a confecção da cama.


A ilustração a seguir é de duas espécies do gênero Panicum. Ilustração de Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz. Gera,Zezschwitz,1903-.


Panicum (Poaceae)

Registros iniciais e evidências do uso das plantas na pré-história são muito raros em função da má preservação: com o tempo, todo o corpo de um vegetal é decomposto e volta a ser matéria orgânica. Por este motivo, fósseis vegetais são difíceis de serem encontrados, ao contrário de ossos, exoesqueletos, conchas e carapaças de animais.

Essa descoberta fascinante, ilustra como era a vida dessas pessoas no passado e como as plantas já eram utilizadas no cotidiano em busca de bem estar e conforto.


Assista o vídeo onde a pesquisadora Lyn Wadley, da Wits University, que liderou uma equipe internacional de arqueólogos na descoberta dos ancestrais sul-africanos que viviam em Border Cave. No vídeo é possível ver detalhes da pesquisa (em inglês).


Veja o artigo publicado na Revista Science (em Inglês) no link abaixo:



Por: Patrícia Dijigow


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