Linho: a planta que conquistou o Antigo Egito

Atualizado: Jul 14


A floração do linho.

O linho (Linum usitatissimum - e suas subespécies) é uma planta herbácea pertencente à família Linaceae, nativa da Turquia e do Irã e introduzida na Ásia, Europa, América do Norte e regiões do norte da África e sul da América do Sul.


A fibra têxtil que leva o mesmo nome é obtida a partir do talo da planta, enquanto que a linhaça e o óleo da linhaça são extraídos das sementes. Na América do Norte, o termo linhaça é utilizado para designar o linho utilizado pelo ser humano, porém em outras regiões do mundo, o termo é referente à linhaça comestível.


Detalhe das flores e da linhaça - a semente do linho.

O linho pode crescer até 70 centímetros de altura, florescendo entre junho e julho, sendo polinizado por insetos. Necessita de grande incidência de sol ao ser cultivado, preferencialmente em regiões de clima temperado e solos úmidos porém bem drenados. Tolera ventos fortes desde que não sejam marítimos.


Registros históricos indicam que o linho foi utilizado no Paleolítico Superior, há cerca de 30.000 anos atrás. Após ser domesticado, o linho marcou sua presença na antiga Mesopotâmia, depois Oriente Médio até tornar-se extremamente utilizado e cultuado no Egito, onde era cultivado para atender aos faraós e sacerdotes, além das diversas aplicações em velas para barcos e tendas, usos cerimoniais e principalmente como bandagem nos processos de mumificação. O linho era considerado um símbolo de pureza para os antigos egípcios, que o representaram em floração nas paredes de seus templos.


Para a obtenção da fibra, o linho é colhido, sendo este processo manual nos cultivos orgânicos, onde a raiz também é aproveitada. As sementes são separadas do corpo do vegetal, e este passa por processos de curtimento e maceração, para que seja retirada a cola natural que une suas fibras - na forma artesanal este processo utiliza o orvalho noturno.


A maceração em água fria amolece as fibras em cerca de três semanas, facilitando seu manuseio. Em água quente, o processo leva poucos dias.


Acima: os processo de secagem, separação das fibras e tear para confecção do linho.



Após a maceração, o linho passa pela secagem, um dos mais delicados processos pois exige que toda a umidade seja removida para que não apodreça, porém de forma a preservar sua flexibilidade. As fibras longas são separadas na etapa seguinte, chamada sedagem e em seguida pela fiação (que transforma a fibra em fio) e pelo tear, que compõe o tecido.


Quando cultivado organicamente e manufaturado (sem o uso produtos químicos), o linho é totalmente sustentável.


Extremamente versátil, o linho é um tecido resistente, utilizado na confecção de roupas e diversos acessórios para cama, mesa e banho, bolsas e peças de decoração e design. Pode ser trabalhado em diversos tipo de trama e tingido com pigmentos, rendendo uma escala infinita de opções.


Após tecido, o linho permite uma infinidade de usos e tingimentos.

Por: Patrícia Dijigow


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