O Segredo de Jeanne Baret

Atualizado: 2 de fev.


Escrito pela pesquisadora Glynis Ridley, o livro "O Segredo de Jeanne Baret" (Editora Europa) relata a fascinante aventura da primeira mulher a circum-navegar o planeta em busca de novas espécies vegetais - proeza que realizou disfarçada de homem, pois naquela época mulheres eram proibidas de embarcar em navios da marinha francesa.


Filha de camponeses, Jeanne Baret (1740 - 1807) nasceu em La Comelle, no interior da França e com seus pais, aprendeu a identificar as plantas por suas propriedades curativas, se tornando uma herbolária com vasto conhecimento em plantas.

Após o falecimento de seus pais, Jeanne Baret passou a trabalhar como governanta na casa de Philibert Commerson, famoso naturalista e nomeado botânico do rei Luis XVI. Sua relação com Commerson se tornou íntima e também permitiu que ampliasse ainda mais seus conhecimentos sobre botânica. 

Em 1765, Commerson, com saúde fragilizada, foi convidado a participar da expedição de Louis Antoine de Bougainville. Seus planos previam viajar com Jeanne Baret, que atuaria como sua enfermeira e responsável por seus documentos e coleções de plantas, porém por ser mulher, ela foi proibida de ingressar na tripulação do navio.

Juntos, Jeanne e Commerson elaboraram um plano mirabolante, no qual Jeanne se disfarçou de homem e se juntou à tripulação pouco antes da partida, para não levantar suspeitas. Ainda em alto mar, a identidade de Jeannet já gerava desconfianças e ameaças de violência. Durante a viagem, ela teve que cuidar da saúde de Commerson e assumir as funções de botânico-chefe.


Chegando em Montevidéu, realizaram coletas em montanhas e planícies, sendo Jeanne responsável também por carregar todos os suprimentos e as pesadas prensas de madeira, utilizadas para preservar as amostras vegetais coletadas.

No Rio de Janeiro, o botânico ficou confinado ao navio e Jeanne realizou a coleta considerada mais notável: a da Bougainvillea (popularmente conhecida como primavera), batizada em homenagem ao capitão da expedição. Milhares de plantas foram coletadas durante a expedição, que também trouxe à tona a verdadeira identidade de Jeanne, descoberta por nativos no Taiti. O comandante da expedição decidiu não processá-la, porém o casal foi obrigado a abandonar a expedição na colônia francesa da ilha Maurício, onde Commerson faleceu em 1773.