Casa Mundo Particular: exposição reúne arte, arquitetura e natureza
- Escola de Botânica

- 25 de jun.
- 4 min de leitura
Até o dia 30 de junho, está aberta para visitação em São Paulo a exposição Casa Mundo Particular, realizada na galeria Apartamento 61, espaço que ocupa a antiga residência do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret.
A mostra reúne 11 artistas convidados para desenvolver obras site specific, concebidas especificamente para os ambientes da casa. A proposta da exposição é investigar como construímos nossa relação com o espaço doméstico, com a cidade e com os sistemas vivos dos quais fazemos parte.
A Escola de Botânica participou da primeira edição do projeto por meio da consultoria especializada do biólogo e botânico Anderson Santos e também integrando a programação paralela com a oficina Herbário da casa.
Nesta matéria, contamos um pouco sobre a exposição, o processo de construção do projeto e os caminhos que aproximaram arte, arquitetura e botânica.
A exposição
Casa Mundo Particular parte de uma pergunta central: como temos habitado o planeta e como construímos nossa relação com a natureza?
A partir dessa questão, a curadoria propõe uma reflexão sobre diferentes escalas de habitação: o corpo, a casa, a cidade e o mundo, observando como essas fronteiras foram sendo construídas ao longo do tempo.
A exposição sugere que o espaço doméstico não é apenas um lugar funcional ou privado, mas também um território de produção de valores, memórias e formas de perceber o ambiente.
Ao ocupar uma residência histórica, o projeto transforma a própria arquitetura em parte da experiência expositiva.
A casa: onde viveu Victor Brecheret
Um dos elementos centrais do projeto é o lugar onde ele acontece. A exposição ocupa a residência onde viveu Victor Brecheret, escultor fundamental para a história da arte moderna brasileira. Atualmente o imóvel abriga a galeria Apartamento 61, dedicada ao design e ao mobiliário brasileiro do século XX.
A escolha do espaço não funciona apenas como cenário para as obras.
Ao longo da visita, os ambientes da casa permanecem reconhecíveis como ambientes domésticos: salas, janelas, passagens e áreas de convivência continuam presentes e passam a dialogar com os trabalhos instalados.
Essa decisão aproxima arquitetura e exposição e reforça uma das perguntas centrais do projeto: existe separação possível entre os espaços que habitamos e os sistemas naturais dos quais fazemos parte?
Curadoria
A exposição tem curadoria de Lilian Fraiji, fundadora do LABVERDE.
A proposta curatorial foi reunir artistas com linguagens distintas para produzir intervenções que dialogassem diretamente com o espaço da casa e com o tema da mostra.
Em vez de organizar obras independentes dentro de um mesmo endereço, o projeto buscou construir relações entre trabalhos, ambientes e circulação do público. O resultado é uma exposição em que o percurso pela casa também faz parte da leitura das obras.
Na foto: Stefania Dzwigalska, idealizadora da Casa Mundo Particular e Lilian Fraiji, curadora.
As/os artistas participantes
Participam da primeira edição de Casa Mundo Particular:
Alessandra Vinksnaitis & Louise Martins
Cada artista desenvolveu um trabalho específico para o contexto da exposição e para os espaços disponíveis dentro da casa. As obras apresentam abordagens diferentes sobre temas como presença, memória, matéria, território e relação entre corpo e ambiente.
Como a Escola de Botânica participou do projeto
A Escola de Botânica integrou o projeto por meio da atuação de Anderson Santos como consultor especializado. Biólogo, botânico, fundador da Escola de Botânica, Anderson acompanhou o desenvolvimento da exposição oferecendo suporte técnico às diferentes equipes envolvidas.
O trabalho incluiu interlocução com: artistas; equipes de comunicação visual e textual; expografia; produção.
A participação teve como objetivo apoiar decisões relacionadas ao uso de referências botânicas, relações entre natureza e cultura e aspectos técnicos vinculados aos conteúdos apresentados.
Mais do que inserir informações científicas na exposição, o trabalho buscou contribuir para ampliar repertórios e aproximar diferentes áreas do conhecimento durante o processo de construção.
Ocupação Mata Atlântica
A Escola de Botânica também criou para a exposição a Ocupação Mata Atlântica, uma instalação viva com cerca de 20 espécies nativas do bioma.
Muitas dessas plantas nasceram no Pátio Caeté, no Legado das Águas, a maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil, e foram trazidas para o centro da casa como forma de aproximar floresta e ambiente doméstico.
Após o encerramento da exposição, todas as plantas serão doadas para o Projeto Pazipê, que plantará todas as espécies em áreas públicas da região central de São Paulo.
Herbário da Casa: oficina integrou programação paralela
Além da consultoria, a Escola de Botânica realizou a oficina Herbário da Casa, parte da programação paralela da exposição.
A atividade convidou participantes a experimentar técnicas inspiradas nos herbários científicos, como observação, seleção e composição com plantas secas, para construir cartões e cartazes.
Durante a oficina, as plantas foram utilizadas como ponto de partida para conversas sobre memória, cotidiano e presença da natureza nos ambientes que habitamos. Ao longo do encontro, os participantes produziram trabalhos utilizando folhas e materiais vegetais previamente preparados.
Últimos dias para visitar
Com encerramento em 30 de junho, Casa Mundo Particular entra em seus últimos dias de visitação.
Para quem acompanha o trabalho da Escola de Botânica ou tem interesse em projetos que aproximam arte, arquitetura e natureza, esta é uma oportunidade de conhecer uma exposição construída a partir do encontro entre diferentes campos do conhecimento.
Casa Mundo Particular
Até 30 de junho de 2026
Terça a domingo | 10h às 18h
Entrada gratuita
Rua João Moura, 100 — Pinheiros — São Paulo
8 minutos a pé da estação Oscar Freire
Projeto realizado por meio do PROMAC com patrocínio Quinto Andar e realização Tête-à-Tête.





































