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Papiro: uma planta de muitas histórias


O papiro (Cyperus papyrus) é uma planta aquática herbácea e perene da família Cyperaceae, nativa da África e norte de Israel, mundialmente conhecida por ser uma das precursoras do papel e utilizada como meio físico para a escrita por civilizações da antiguidade no Egito, Oriente Médio, Babilônia, Grécia e Roma.


Também conhecido popularmente como grama do Nilo, cresce a Sol pleno em pântanos inundados e nas margens de lagos da África, Madagascar e países mediterrâneos. Hoje em dia é cultivado como planta ornamental. Pode atingir até 6 metros de comprimento e sua flor, por lembrar os raios do Sol (uma das principais divindades no Antigo Egito), era considerado sagrado.



Todas as partes da planta eram utilizadas de modo eficiente pelos egípcios para diversas finalidades: confecção de cestos, sandálias, camas, barcos e outros utensílios. A raiz era queimada como combustível.


Detalhes das fibras do papiro, dispostas em camadas cruzadas para criação do rolo de escrita.


Em torno de 2.500 AEC, os egípcios desenvolveram a técnica de cortar o miolo do talo do papiro em lâminas muito finas, que eram posteriormente molhadas, sobrepostas em camadas cruzadas na horizontal e vertical, e então prensadas entre dois pedaços de tecidos.


A lâmina obtida, era alisada e colada ao lado de outras lâminas para formar uma longa fita, e depois enrolada em varetas de madeira, para criar o rolo que seria usado para a escrita. Esses documentos levam o mesmo nome da planta.


Na sequência acima, demonstração dos cortes feitos no talo da planta para montagem do rolo de escrita.


A escrita era realizada de forma paralela às fibras. E mesmo com sua fragilidade e delicadeza, alguns textos escritos em papiros se encontram preservados, trazendo diversos relatos que nos permitem conhecer hábitos, cultura e práticas de milhares de anos atrás.


Um desses registros é o famoso Papiro de Edwin Smith (datado de aproximadamente 1.700 AEC), considerado o mais antigo texto médico sobre cirurgia traumática conhecido. O papiro de Ebers (cerca de 1.500 AEC) contém formulações de remédios e cosméticos feitos com plantas.


Papiro de Edwin Smith, de aproximadamente 1.700 AEC.

O crescimento do papiro foi muito afetado pela seca do Nilo no século XI, mas antes disso, seu uso já havia sido substituído por pergaminhos em meados do ano 800. Considerado um um importante presente do Rio Nilo pela cultura egípcia, o papiro tem ainda grande valor ambiental, por desempenhar um papel na limpeza do meio ambiente e na regulação do ecossistema.



O gênero Cyperus abrange 951 espécies, distribuídas em todos os continentes.



O papiro é um marco da transição da pré-história para a história da humanidade. Plantas que mudaram o rumo da história são também um dos temas abordados no curso on-line Introdução à Botânica, uma grande jornada de aprendizado sobre as plantas.


Por: Patrícia Dijigow


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