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A história do cravo-da-índia

Atualizado: 24 de ago. de 2021


Cravo-da-índia Ilustração botânica: Botanische wandplaten. Foto: Felipe Fontoura

O craveiro-da-índia (Syzygium aromaticum) é uma árvore da família Myrtaceae (a mesma família dos eucaliptos, melaleucas, goiabeiras, pitangueiras e jambeiros) e nativa das Ilhas Molucas, na Indonésia. É uma espécie perenifólia que cresce entre 8 e 20 metros de altura.


Várias partes da planta são aromáticas, incluindo as folhas e a casca, porém a parte mais valorizada - e que chamamos de cravo - é seu botão floral. A época de floração varia em diferentes partes do mundo, e a colheita comercial é iniciada em plantas que tenham no mínimo quatro anos. Geralmente os botões são manualmente colhidos.


Utilizado como especiaria desde a antiguidade, o cravo-da-índia já foi comercializado a preço de ouro, e até hoje é utilizado na Medicina Ayurveda, na Medicina Chinesa e na fitoterapia ocidental. Seu comércio motivou inúmeras viagens de navegadores europeus para o continente asiático.


Detalhe dos cravos-da-índia.

A Guerra da Independência Holandesa foi um período histórico marcante no comércio da especiaria. Com a exclusão da Holanda dos mercados de especiarias de Lisboa por Filipe II da Espanha, os holandeses tiveram que buscar seu próprio acesso, o que levou à invasão das Ilhas Molucas (então governadas por portugueses) em 1605, pela Companhia Holandesa das Índias Orientais.


Ao assumirem o controle da região e o comércio de especiarias, os holandeses passaram a destruir os cravos-da-índia, preservando somente aqueles em suas ilhas mais fortificadas, com o intuito de manter o monopólio da produção. Tanto o cultivo quanto o comércio não autorizado de cravo era um crime punido com a morte. Durante este período, diversas comunidades nativas que faziam o cultivo de cravo e os rivais ingleses da Companhia Britânica das Índias Orientais foram torturados e massacrados durante as disputas.


Com o intuito de manter os preços elevados, os holandeses também limitaram as exportações do cravo-da-índia, impactando o comércio mundial e gerando um período de grande riqueza na Holanda por mais de um século.


Ainda assim, era possível se obter cravos-da-índia com certa facilidade e, em 1772, os franceses conseguiram contrabandear plantas das Ilhas Molucas para as Ilhas Maurício e Reunião - locais que passaram a cultivar e transferir novas plantas para todo o mundo, inclusive para Zanzibar em 1818, que se tornou o maior produtor mundial por mais de 100 anos.


Detalhe da planta com os botões florais.

O cravo-da-índia é amplamente utilizado na culinária como condimento no preparo de pratos e doces (neste último, seu uso teve início por sua ação repelente, impedindo a invasão de formigas, usado popularmente em açucareiros) e na fabricação de medicamentos, por suas propriedades antimicrobianas, antifúngicas, antivirais e anti-inflamatórias.


Seu óleo essencial é rico em eugenol - princípio ativo responsável pelas propriedades analgésicas e antissépticas, sendo bastante usado em odontologia. Ingrediente de diversos perfumes e fonte de matéria-prima para a fabricação de fragrâncias e aromatizantes, também foi usado anteriormente para sintetizar a vanilina (aroma artificial de baunilha).


Os botões florais do cravo-da-índia: antes e depois da secagem.

Na China, além do uso como condimento, é um famoso antisséptico bucal: era pré-requisito mascar cravos antes de qualquer audiência com o Imperador.


O cravo-da-índia é uma especiaria presente em bebidas sazonais como o quentão e o vinho quente, além de ser um importante ingrediente em diversas misturas de especiarias, como Garam masala e cinco especiarias chinesas.



Por: Patrícia Dijigow




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